Você ainda trata redes sociais como “mais um canal” onde joga conteúdo? Então sua marca está ficando para trás. Pesquisas de 2025 mostram que 41% da Geração Z busca informações primeiro em redes sociais, não mais no Google.
Dados recentes revelam que 46% da Geração Z prefere redes sociais a motores de busca para encontrar respostas. Os consumidores interagem com mais de 130 pontos de contato das marcas por dia, segundo o Google. O tradicional funil de marketing não consegue mais explicar por que as pessoas compram.
Marcas como Duolingo, RyanAir e Crocs entenderam que social first não é buzzword, é mudança estrutural na forma de fazer negócios.
Ao longo deste guia, você vai descobrir o que define essa abordagem, como construir uma estratégia prática e quais empresas estão colhendo resultados expressivos com esse modelo.
O que é social first?
Social first é uma estratégia de marketing em que as redes sociais deixam de ser apenas canais de distribuição e passam a ser o centro do posicionamento digital da marca.
O conteúdo é criado nativamente para cada plataforma, respeitando o comportamento do público e a linguagem daquele espaço. A marca usa dados sociais para tomar decisões e transforma consumidores em embaixadores ativos.
Social first marketing significa que a inteligência vinda das redes sociais influencia criação de campanhas, desenvolvimento de produtos e até definição de posicionamento de marca.
A Wild, marca de cuidados pessoais adquirida pela Unilever, é um bom exemplo de uma empresa que nasceu das redes sociais e prioriza o socia first. Mais de um terço da equipe é dedicada a marketing de influência, que a empresa trata como canal primário de vendas, não só como ferramenta de awareness.
Marcas como Crocs, Duolingo, Liquid Death e RyanAir construíram impérios usando as redes sociais como ouvidos (para entender cultura e consumidor) e megafone (para amplificar conversas autênticas).
Por que o marketing tradicional perdeu força?
O modelo antigo de marketing funcionava assim: criar campanha para TV ou print, depois adaptar para digital e redes sociais. O conteúdo ia de cima para baixo, da marca para o consumidor. Esse formato está morrendo por três razões:
Dados de 2025 mostram que 46% da Geração Z prefere redes sociais a motores de busca para encontrar respostas. O TikTok virou ferramenta de pesquisa para descobrir receitas, tutoriais, avaliações de produtos e até notícias. Pesquisas recentes confirmam que 77% usam TikTok para descoberta de produto, enquanto 74% usam Instagram.
Segundo, caiu a confiança em publicidade tradicional
Os consumidores confiam mais em pessoas do que em marcas. A pesquisa State of Social Media 2026 da Power Digital revelou que 76% dos consumidores sentem maior lealdade a marcas que respondem comentários e DMs, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Apenas 7% confiam tanto em recomendações geradas por IA quanto confiam em indicações humanas.
Terceiro, o alcance orgânico despencou e os custos de mídia paga dispararam
Desde janeiro de 2026, a Meta repassou tributos integralmente aos anunciantes, elevando custos em 12,15%. O tráfego de sites caiu, e-mail perdeu engajamento, TV tradicional está perdendo audiência.
Enquanto isso, as redes sociais se tornaram o lugar onde consumidores passam tempo, descobrem marcas, recebem suporte e, principalmente, onde decidem comprar.
O marketing de megafone (falar alto para todos) foi substituído pelo marketing de escuta ativa. Marcas que colocam redes sociais no centro conseguem captar sinais em tempo real, adaptar mensagens rapidamente e criar conexões genuínas. Aquelas que ainda tratam social como “só mais um canal” estão ficando para trás.
Como construir uma estratégia social first na prática?
Colocar as redes sociais no centro das estratégias digitais exige mudança de mentalidade e processo. Não basta aumentar a frequência de posts ou contratar mais influenciadores digitais.
Escute antes de criar
Marcas social first começam ouvindo. Use ferramentas de social listening para entender o que seu público está falando, não sobre você, mas entre eles. Quais são as dúvidas recorrentes? Quais memes estão em alta? Que linguagem usam? Que problemas têm?
Crie conteúdo nativo para cada plataforma
Cada rede social tem linguagem, formato e expectativa próprios. Conteúdo social first não é um vídeo corporativo cortado em 15 segundos para Reels. É uma criação pensada desde o início para aquele canal específico.
No TikTok, funciona autenticidade crua, humor inesperado e participação em trends. No Instagram, narrativa visual forte e estética coesa. No LinkedIn, liderança de pensamento e insights profissionais. Creators entendem isso naturalmente, e é por isso que marcas social first trabalham em parceria próxima com eles.
A e.l.f. Cosmetics domina essa abordagem. A marca combina UGC (conteúdo gerado por usuários), vídeos focados em produto e participação ativa em tendências.
@elfyeah this just in ‼️ the big e.l.f.ing mystery unboxathon is happening from November 3-7 🎁 pick from 6 digital bundles packed with 5+ full-size products 🤩 starting at only $24 (all at OMG values) 😱 unlock your first digital blind box at elfcosmetics.com #elfcosmetics #eyeslipsface #blindbox #digitalblindbox #unboxing
♬ did i tell u that i miss u - adore
Tudo com autenticidade e senso de humor que ressoa com o público. Resultado: pulou de quarta marca de beleza favorita da Geração Z direto para a primeira posição.
Ative sua comunidade como criadores
Transforme consumidores satisfeitos em embaixadores. Incentive criação de conteúdo. Reposte avaliações autênticas. Dê voz para quem já ama sua marca.
A Glossier nasceu dessa filosofia. A marca de beleza surgiu do blog Into The Gloss e construiu seu império transformando leitoras em defensoras ativas.
@glossier Proof that a simple routine > everything. @sandradrifter starts the day using: _Milky Jelly Cleanser _Afterbaume _Balm Dotcom in Original _Daily Perfecting Lotion in Sandstone _Body Spritz in Sandstone
♬ original sound - Glossier
Até hoje, 70% do conteúdo da Glossier vem de clientes e embaixadores, não de campanhas produzidas internamente. Tudo, desde outdoors até inaugurações de lojas, é pensado para gerar impressões sociais.
Microinfluenciadores e UGC creators performam melhor que celebridades em muitos casos. A pesquisa da Creator Economy mostra que 73% da Geração Z, 68% dos Millennials e 57% de todas as pessoas pedem conselhos a criadores antes de comprar. O conteúdo deles é 8,7 vezes mais poderoso que publis tradicionais.
Use dados sociais para decisões de negócio
Marcas social first usam a inteligência social para direcionar toda a empresa. Que produtos lançar? O que está funcionando mal? Como melhorar atendimento? As respostas estão nas conversas que acontecem todos os dias em comentários, DMs e mentions.
A Stanley conseguiu transformar sua garrafa térmica centenária em ícone cultural ouvindo atentamente nichos específicos nas redes sociais.
@darcymcqueenyyy looks like we’re adding a new member to the family👀🫶🏻 #stanleycollection #stanleytumbler #fyp #stanleys #stanleycup #stanleytumblers #asmr #asmrsounds #stanleyquencher #stanleycups #stanleycupreview #stanley
♬ Dump Truck(Back It Up & Dump It) - KINFOLK THUGS
A marca identificou comunidades apaixonadas, criou edições limitadas baseadas em feedback social e deixou que o boca a boca orgânico fizesse o trabalho pesado. O resultado foi crescimento explosivo sem grandes investimentos em mídia paga tradicional.
Responda rápido e humanize interações
A pesquisa State of Social Media 2026 constatou que 77% das pessoas notam se marcas estão engajando em seções de comentários. O Instagram dobrou as taxas de engajamento do TikTok justamente porque marcas respondem, conversam e criam conexão real.
Sempre que possível, não use respostas automáticas genéricas! Tenha voz de marca, senso de humor quando apropriado e humanidade genuína.
Como medir sucesso em estratégia social first?
ROI de social first não se mede só em vendas imediatas. Branding opera em escala de tempo diferente. As métricas certas revelam se sua estratégia está funcionando ou desperdiçando recursos.
Métricas de comunidade e engajamento
Sempre que consumidores criam conteúdo espontâneo sobre sua marca, você sabe que social first está funcionando. Quando influenciadores mencionam você sem patrocínio, está funcionando. Quando trends surgem organicamente envolvendo seu produto, está funcionando.
Para traduzir tudo isso em números, acompanhe métricas como crescimento de comunidade, sentiment analysis, share of voice e taxa de engajamento.
Nossa recomendação é usar ferramentas como mLabs Analytics para monitorar essas e outras métricas em tempo real, comparar períodos e identificar o que realmente move o público.
Indicadores de social commerce
Social commerce é um indicador direto de sucesso. Segundo dados de 2025, 67% da Geração Z descobre produtos por vídeos sociais, e mais de 70% prefere pesquisar marcas em redes sociais a usar motores de busca tradicionais.
Acompanhe conversões vindas de mídias sociais, cliques em links de bio, vendas diretas em plataformas sociais e atribuição last-click versus atribuição assistida. O impacto real de social first aparece quando você cruza dados de múltiplos pontos de contato.
Volume e qualidade de menções
Quanto as pessoas estão falando sobre você? Em que contexto? Com que sentimento? Esses sinais mostram se sua marca está gerando conversas reais ou apenas ruído. Marcas social first geram discussões orgânicas que se multiplicam sem investimento em mídia paga.
Erros comuns ao tentar ser social first
Entender o que não fazer é tão importante quanto saber os passos certos. Muitas marcas fracassam por cometer erros evitáveis que sabotam a estratégia desde o início.
Confundir volume de conteúdo com relevância
Muitas marcas confundem social first com postar mais. Criar 50 posts genéricos por semana não constrói comunidade, e um vídeo viral bem executado vale mais que meses de conteúdo morno.
A qualidade da conversa que você gera importa infinitamente mais que a quantidade de publicações. Se ninguém está comentando, compartilhando ou salvando seu conteúdo, postar mais não resolve o problema.
Querer controle total
Marcas social first aceitam que parte do conteúdo será criada por outras pessoas. Isso assusta departamentos jurídicos e executivos conservadores, mas é exatamente onde está o diferencial dessa estratégia.
Conteúdos no formato UGC tem mais chances de convencer outros clientes que qualquer campanha milionária. Soltar as rédeas e confiar na comunidade gera resultados que nenhuma agência consegue produzir internamente.
Tratar todas as plataformas igual
O que funciona no TikTok não funciona no LinkedIn. Adapte conteúdo para cada canal, respeitando linguagem e formato nativos.
Se possível, use ferramentas de gerenciamento para organizar a produção e publicação de conteúdo nas redes sociais. O segredo é criar de forma nativa para cada plataforma, não replicar o mesmo post em todos os lugares.
Demorar a analisar dados e feedback
Escute o que as pessoas estão dizendo. Ajuste curso rapidamente. Social first exige agilidade, não planejamento rígido de seis meses que não pode ser alterado.
Marcas que levam semanas para reagir a feedbacks ou tendências perdem a janela de oportunidade. A velocidade de resposta e adaptação separa quem domina social first de quem apenas finge.
Outros exemplos de social first
Confira quatro exemplos de marcas que dominam essa mentalidade social first e entenda por que elas são referência hoje:
Duolingo
O Duolingo é uma plataforma de aprendizado de idiomas com milhões de usuários no mundo inteiro, baseada em um modelo freemium altamente escalável.
Embora o produto seja educacional, a marca decidiu não se comunicar como uma “empresa de educação tradicional”. Em vez disso, transformou suas redes sociais especialmente o TikTok, em um braço da sua cultura digital.
A coruja verde, mascote da marca, virou personagem ativo em vídeos, memes e vídeos que conversam com toda sua comunidade.
@duolingobrasil melhor música que eu já ouvi👍 #nicolasnetto #duolingobrasil
♬ som original - ★
Netflix
A Netflix é uma plataforma global de streaming que vive de atenção. Seu maior ativo não é apenas o catálogo, e sim a capacidade de transformar lançamentos em eventos sociais. Por isso, o social first é estrutural no modelo da empresa.
A marca usa redes sociais para entrar em conversas do público, criar memes, estimular teorias e gerar identificação emocional com personagens e histórias.

Chipotle
A Chipotle se destacou por abraçar plataformas como o TikTok antes de muitos concorrentes. Ela lançou desafios que explodiram em visualizações e engajamento.
Veja esse post orgânico relacionado ao desafio #ChipotleLidFlip proposto pela própria marca:
@duolingobrasil melhor música que eu já ouvi👍 #nicolasnetto #duolingobrasil
♬ som original - ★
Campanhas como hacks de pedidos, desafios virais e ativações com criadores transformam o cardápio em assunto de conversa.
O futuro do social first
Nos próximos anos, 81% dos líderes de marketing planejam realocar fundos de SEO tradicional para orgânico social, mídia paga em redes ou marketing de influência. Social deixou de ser complemento e virou porta de entrada para descoberta de produto.
Nesse novo cenário, as redes sociais assumem um papel que antes era dominado pelos buscadores. As pessoas não começam mais a jornada no Google, elas começam no Instagram, no TikTok, no YouTube, consumindo conteúdos que misturam entretenimento, educação e prova social.
Outro ponto-chave dessa virada é a forma como as marcas se relacionam com criadores. Parcerias pontuais tendem a perder força, dando lugar a relações de longo prazo com influenciadores.
Esse movimento também conversa diretamente com a evolução dos próprios algoritmos. Como explica Rafael Kiso, fundador e CMO da mLabs, “as mídias sociais estão evoluindo para sistemas de recomendação e busca, com decisões guiadas por inteligência artificial e dados semânticos, e a visibilidade deixará de depender de seguidores para ser conquistada por contexto, intenção e relevância percebida”.
Quanto mais marcas abraçam social first, mais central essa abordagem se torna para quem quer competir. Não dá para fingir. Não dá para terceirizar completamente. É preciso colocar redes sociais no DNA da empresa, do CEO ao estagiário. Quem fizer isso antes da concorrência sai na frente.
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