As pessoas ainda pesquisam como antes?
Durante anos, a lógica parecia simples: quando alguém queria encontrar um produto ou serviço, ia direto para o Google e começava a pesquisar. Só que esse comportamento mudou.
Hoje, a decisão não nasce em uma plataforma isolada. Ela se constrói ao longo de um caminho.
As pessoas não pesquisam apenas para encontrar respostas. Elas pesquisam para reduzir incerteza e cada plataforma ajuda a responder um tipo diferente de dúvida nesse processo.
Em um primeiro momento, a pessoa quer entender se aquilo faz sentido. Depois, quer aprofundar, comparar, analisar melhor. E, por fim, busca validar: ver a marca, entender se ela parece confiável, observar como se posiciona.
💡Percebe como não é uma única busca, mas uma sequência de pequenas verificações?
Veja esses dados:

Em 2022, apenas 11% das pessoas usavam o TikTok para buscar produtos e agora isso mais que dobrou. Enquanto isso, outras redes sociais estão estáveis ou até mesmo caindo e aqui está o ponto central: as pessoas não escolhem em uma única plataforma, elas fazem uma jornada entre plataformas.
Cada rede social responde uma pergunta diferente. Por exemplo:
🔍 No TikTok o usuário quer ver gente de verdade usando o produto (UGC), é sobre descoberta, opinião rápida e a resposta à pergunta “será que isso funciona de verdade?”.
🔍 No YouTube, o usuário quer profundidade, detalhe, comparação, teste real.
🔍 No Instagram, muitas vezes a busca é por validar a própria marca, conferir se ela cria conteúdo e age de forma confiável.
O erro é tratar as redes sociais como canais isolados, quando na verdade elas são etapas diferentes da descoberta e da decisão de compra.
Quem entende isso para de postar por postar e começa a construir presença estratégica no ecossistema das mídias sociais.
Como as pessoas buscam hoje?
A maior mudança não está nas plataformas em si, mas no comportamento de busca.
A lógica sempre seguiu a mesma linha: surgia uma dúvida, a pessoa ia até um buscador, digitava uma palavra-chave e procurava uma resposta. Só que esse modelo está mudando.
Hoje, buscar não é apenas digitar. É explorar e é exatamente por isso que o TikTok ganha força. Porque, em vez de entregar só uma lista de links, ele entrega contexto humano. Você vê pessoas usando, testando, opinando, errando e acertando.
A resposta deixa de vir só em texto e passa a vir em forma de experiência. Isso reduz o tempo de interpretação e aumenta a sensação de confiança.
📊 Uma pesquisa feita pela Adobe mostra que quase metade dos consumidores dos Estados Unidos já usou o TikTok como mecanismo de busca, atraídos por seus vídeos curtos, conteúdo personalizado e narrativa autêntica, e esse número cresceu quase 20% em apenas dois anos.

E é aí que muita gente ainda erra: continua tratando o TikTok como entretenimento superficial, quando na prática ele já funciona como uma porta de entrada para descoberta.
No fim, a mudança não é tecnológica. É comportamental. E quem entende isso para de pensar apenas em onde postar e começa a pensar em onde ser encontrado primeiro.
Como as pessoas encontram especialistas hoje?
Durante muito tempo, a lógica parecia simples: quem tinha mais alcance e engajamento era percebido como referência. Mas isso começou a mudar.
Com a evolução das inteligências artificiais, o critério deixou de ser visibilidade e passou a ser confiabilidade. Quando uma IA precisa responder uma pergunta, seja no ChatGPT, Gemini ou Perplexity, ela não busca o conteúdo mais curtido. Ela busca o mais estruturado, mais contextualizado e mais confiável.
E é exatamente por isso que o LinkedIn ganha protagonismo nesse cenário. A plataforma organiza melhor esse tipo de informação: perfis detalhados, experiências documentadas, artigos mais densos e conteúdo técnico.
De acordo com dados do Semrush, tanto o LinkedIn quanto o Reddit devem ser focos importantes para os profissionais de marketing nas mídias sociais que buscam posicionar suas marcas dentro das respostas de IA e aproveitar o uso crescente de chatbots de IA para descoberta.


Enquanto isso, o Instagram continua forte para relacionamento, proximidade e recorrência. Mas ele não foi desenhado para documentar expertise de forma profunda.
💡No novo contexto das mídias sociais, a mudança não é abandonar uma plataforma, é entender o papel de cada uma. E neste caso, o Instagram aproxima, enquanto o LinkedIn estrutura e sustenta autoridade.
A Internet pós-busca: mudanças comportamentais e estratégicas
Amy Webb, futurista e CEO do Future Today Strategy Group, defende o conceito de “post-search internet”: o Google não é mais a única opção (ou a principal) para quem procura informação. A busca tradicional está sendo abandonada pelos usuários de todas as gerações e essa mudança fundamental é fruto da convergência entre tendências tecnológicas e sociais.

O impacto imediato dessa mudança no modelo de negócios é a necessidade das empresas repensarem suas estratégias, hoje ainda baseadas em anúncios e cliques.
No fim, não é que as pessoas deixaram de buscar. Elas passaram a buscar melhor e isso exige presença ao longo da jornada inteira.
Porque quando uma marca trata cada rede como um canal isolado, ela participa de apenas uma parte do processo. Mas quando conecta esses pontos, o conteúdo deixa de competir sozinho e passa a construir uma percepção mais completa.
💬 Faz sentido?