Você já perguntou ao Chat GPT, ao Perplexity ou ao Claude qual é a melhor empresa, ferramenta ou solução para resolver um problema?
A resposta que aparece pode influenciar quais marcas você pesquisa, considera e escolhe.
É nesse cenário que surge o GEO, sigla para Generative Engine Optimization. Na prática, é o trabalho de otimizar a presença digital de uma marca para aumentar suas chances de aparecer nas respostas produzidas pelas inteligências artificiais generativas.
Entender GEO é importante porque as IAs não apenas localizam informações: elas relacionam marcas a categorias, atributos e níveis de confiança. Portanto, o que está em jogo não é somente ser encontrado, mas ser compreendido e recomendado da maneira correta.
Nesta edição, você vai entender como o GEO se conecta ao SEO, quais sinais fazem uma IA confiar em uma marca e como construir conteúdo, autoridade e reputação para aumentar sua presença nas buscas generativas.
O que o Google, OpenAI e LinkedIn tem a dizer?
Estive em Cannes Lions 2026 em um painel exclusivo com lideranças de marketing do Google, da OpenAI e do LinkedIn, sobre como marcas aparecem (ou somem) nos resultados das IAs generativas e dos LLMs. O recado central: saímos da economia da atenção e entramos na economia da intenção. Não basta prender o olhar, é preciso ser útil na hora exata em que alguém pergunta algo.

O Google foi direto: os LLMs recompensam precisão. Site organizado, produtos bem descritos, páginas obsoletas removidas. Autoridade de marca hoje vem de um mosaico de fontes (criadores, avaliações, publicações especializadas, o próprio site), e cada peça decide se a IA cita ou ignora a marca.
A OpenAI trouxe o dado que mais me chamou atenção: cerca de 20% do uso do ChatGPT já tem intenção comercial direta. O funil tradicional está colapsando, o consumidor pula de descoberta para decisão em poucos passos. E o LinkedIn emergiu como canal chave: conteúdo de empresas, executivos, colaboradores e criadores aumenta a autoridade que os LLMs enxergam.

Para mídias sociais, a lógica é simples: escreva com precisão, estruture conteúdo como resposta, mantenha presença em múltiplas fontes. Confiança é a moeda que decide quem a IA cita. Veremos com maior profundidade esses pontos logo a seguir.
O SEO morreu?
A ascensão das inteligências artificiais mudou a experiência de busca, mas não eliminou o comportamento de pesquisar. As pessoas continuam procurando produtos, serviços e informações, porém agora distribuem essas consultas entre Google, YouTube, TikTok, marketplaces, mídias sociais e assistentes de IA generativas. Portanto, a busca não desapareceu: ela se fragmentou.
A forma como as LLMs constroem determinadas respostas ajuda a compreender por que o SEO continua relevante. Em muitas consultas, ferramentas como ChatGPT e Gemini não respondem apenas com base no conhecimento armazenado durante o treinamento, pois também pesquisam informações disponíveis na web. Assim, existe uma camada de busca funcionando por trás da conversa.
O SEO passa, então, a ser compreendido como um grande guarda-chuva de otimização. Dentro dele já existem disciplinas como SEO local, App Store Optimization e otimização para diferentes plataformas, enquanto o GEO acrescenta o trabalho direcionado às respostas nas IAs generativas. Logo, GEO e SEO não são estratégias concorrentes, mas partes do mesmo ecossistema.
Essa relação muda a maneira como você deve avaliar sua presença digital. Uma página bem estruturada pode aparecer no Google e, ao mesmo tempo, servir como fonte para uma resposta produzida por uma IA. Em vez de abandonar o que já funcionava, o desafio é adaptar essa estrutura a um ambiente de busca mais conectado e complexo.
O que faz uma IA confiar na sua marca?
A confiança começa pelos sinais que comprovam que você conhece o assunto sobre o qual está falando. O framework EEAT, utilizado pelo Google para avaliar a qualidade de conteúdos e resultados, ajuda a organizar esses sinais por meio de quatro dimensões: experiência, especialidade, autoridade e confiabilidade. Essa lógica também pode ser aplicada ao GEO.

A experiência representa o conhecimento adquirido na prática, enquanto a especialidade demonstra domínio técnico e teórico. Você pode estudar profundamente um assunto sem nunca tê-lo executado, assim como pode realizar uma atividade sem saber explicar seus fundamentos. Por isso, experiência e expertise precisam aparecer de forma complementar no conteúdo.
A autoridade depende do reconhecimento que vem de fora da sua própria comunicação. Menções em outros sites, recomendações, depoimentos, referências e backlinks ajudam as IAs a compreender que outras pessoas também reconhecem sua empresa como relevante. Dessa forma, autoridade não é uma autodeclaração, mas uma percepção confirmada por diferentes fontes.
A confiabilidade reúne evidências que mostram que a marca ou o profissional são legítimos. Informações institucionais, endereço, CNPJ, certificados, credenciais, segurança do site e uma presença digital coerente reduzem a incerteza sobre a fonte. Portanto, aparecer nas respostas exige construir provas de experiência, conhecimento, reconhecimento e confiança.
Onde as IAs aprendem sobre a marca?
As inteligências artificiais aprendem sobre uma marca a partir do conjunto de informações disponíveis em diferentes ambientes. Em contextos B2B, o LinkedIn é uma das fontes mais utilizadas pelas LLMs. Esse resultado está relacionado à quantidade de contexto profissional presente na plataforma.

Os artigos e as newsletters do LinkedIn oferecem mais profundidade do que os posts curtos publicados no feed. Nesses formatos, você consegue explicar conceitos, desenvolver argumentos e demonstrar domínio sobre determinado assunto, enquanto o perfil apresenta trajetória, competências e recomendações. Assim, a plataforma reúne diferentes sinais do EEAT em um único espaço.

O texto também continua sendo decisivo em plataformas predominantemente visuais. Títulos, legendas, descrições e transcrições ajudam os modelos a compreender o assunto de um vídeo e a relação dele com a marca que o publicou. Portanto, a legenda não serve apenas para complementar uma publicação, pois também constrói contexto semântico.

Os conteúdos audiovisuais tendem a ganhar ainda mais relevância à medida que as ferramentas desenvolvem visão computacional e capacidade de interpretar áudio. O YouTube já disponibiliza transcrições dos vídeos, enquanto o TikTok começa a considerar com mais intensidade o que é falado dentro do conteúdo. Por isso, aquilo que você diz no roteiro também pode influenciar como sua marca será encontrada e interpretada.
O que a IA aprendeu sobre a sua marca?
O branding semântico representa as relações que um modelo de linguagem constrói entre uma marca, sua categoria e seus atributos. Quando diferentes conteúdos associam repetidamente uma empresa a qualidade, preço, custo-benefício ou inovação, a IA começa a consolidar essas conexões. Portanto, sua marca é interpretada pelo conjunto de significados que circula sobre ela.
Uma forma de diagnosticar essa percepção é pedir que uma LLM avalie sua empresa e os principais concorrentes em atributos importantes para a decisão de compra. A análise pode ser transformada em uma escala de zero a cem, com faixas que indiquem percepção baixa, razoável ou elevada. Dessa maneira, uma avaliação subjetiva se torna um ponto de partida mais objetivo.
Os resultados podem revelar uma percepção diferente daquela que a empresa tem sobre o próprio produto. Dizer que a IA está errada, porém, não muda o que ela aprendeu, pois a resposta foi construída a partir dos conteúdos e referências encontrados. O caminho mais produtivo é identificar quais sinais sustentam a percepção atual.
A partir dos gaps encontrados, você pode criar conteúdos que reforcem as associações desejadas e demonstrem seus diferenciais com evidências. Esse trabalho não consiste em repetir que a empresa é a melhor, mas em apresentar dados, características e comparações que sustentem essa conclusão. Assim, o GEO passa a ser também uma estratégia de construção de significado.
Quais canais realmente importam para o GEO?
A escolha dos canais depende das fontes consultadas pelas IAs dentro de cada mercado. LinkedIn e YouTube aparecem com frequência porque concentram grandes volumes de informação textual, seja por meio de artigos e newsletters, seja pelas transcrições dos vídeos. Portanto, a relevância da plataforma está relacionada à quantidade de contexto que ela oferece.
Outros ambientes podem ganhar importância de acordo com o tipo de negócio e de consulta. O Reddit ajuda a revelar as perguntas e discussões recorrentes de uma comunidade, enquanto a Wikipédia continua sendo uma fonte relevante para a compreensão de conceitos e entidades. Assim, cada canal cumpre uma função diferente na construção das respostas.
No comércio eletrônico, plataformas de avaliação também podem influenciar a percepção de confiança. O Reclame Aqui, por exemplo, é usado por consumidores que desejam verificar se uma empresa é confiável antes de comprar, e não apenas por quem quer registrar uma reclamação. Nesse caso, a reputação construída fora do site oficial interfere diretamente na decisão.
O primeiro passo não é criar presença em todas as plataformas disponíveis. A prioridade é descobrir quais fontes aparecem quando as inteligências artificiais respondem às perguntas mais relevantes do seu segmento. A estratégia começa pela compreensão do caminho percorrido pela informação.
Quando você observa todas essas fontes em conjunto, fica claro que o GEO não depende de estar presente em todas as plataformas, mas de construir uma presença coerente nos ambientes que realmente influenciam o seu mercado. Cada página, artigo, vídeo, menção ou avaliação ajuda a formar o contexto usado pelas inteligências artificiais para interpretar uma marca.
A principal reflexão é que as IAs não criam essa percepção do zero. Elas organizam e relacionam os sinais que encontram em sites, mecanismos de busca, mídias sociais, conteúdos de terceiros e plataformas de avaliação. Portanto, quanto mais dispersa, superficial ou contraditória for a presença digital, menos preciso tende a ser o entendimento sobre o negócio.
GEO não é apenas uma disputa por visibilidade dentro de uma resposta. É um trabalho contínuo de construção de significado, autoridade e confiança para que a percepção formada pelas IAs esteja alinhada ao posicionamento que a marca deseja ocupar.
A pergunta não é apenas se uma inteligência artificial conhece a sua marca.
A pergunta é: o que ela aprendeu sobre você?
Faz sentido?
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A conversa explora como funciona a lógica dos tokens nas LLMs, porque o LinkedIn é hoje a principal fonte citada pelas IAs em contexto B2B, como o framework EEAT do Google se aplica diretamente ao posicionamento nas ferramentas de IA, e quais estratégias práticas qualquer marca pode adotar agora para treinar os modelos de linguagem a seu favor.
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