[Kiso Insights] O marketing B2B na era da Inteligência Artificial

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Pontos principais do artigo:

Qual é o futuro do marketing e das vendas B2B? Essa foi uma das pautas do evento exclusivo para parceiros do LinkedIn, que aconteceu semana passada em Nova York, onde participei como convidado.

A imagem mostra Rafael Kiso sentado em um evento do LinkeDin.

No cenário atual, os modelos tradicionais, guiados por alcance, cliques, tráfego e outros sinais de visibilidade, estão perdendo força em um ambiente em que as jornadas de compra estão mais curtas, menos rastreáveis e cada vez mais mediadas por LLMs.

Em vez de pensar apenas em visibilidade, a proposta apresentada foi adotar um novo modelo mental: viabilidade. Ou seja, entender que, no B2B, a compra não acontece apenas porque uma marca é desejada, mas porque ela pode ser defendida por quem toma a decisão.

Esse ponto ajuda a enxergar uma mudança mais ampla: estar presente em um único canal já não basta. 

Em um cenário em que as decisões passam por IA, comunidades, recomendações, fontes verificadas e experiências reais, a presença precisa ser construída em múltiplos pontos de contato, especialmente onde confiança, autoridade e contexto se reforçam mutuamente.

Por que o B2B precisa de um novo modelo mental agora?

Modelos mentais existem para simplificar decisões complexas. No B2B, durante muito tempo, a lógica dominante foi relativamente linear: gerar alcance, atrair tráfego, capturar cliques e leads, e então passar isso para vendas.

Esse raciocínio funcionava melhor quando a jornada do comprador deixava sinais visíveis e rastreáveis.

O problema é que esse ambiente mudou. Os preditores tradicionais como alcance, tráfego, cliques, engajamento, reconhecimento e preferência, estão se tornando cada vez mais imprecisos, porque boa parte da descoberta e da avaliação agora acontece em ambientes mediados por LLMs.

No chamado “mundo de zero clique”, a jornada se comprime e se torna menos visível. As marcas estabelecidas podem perder espaço se não forem expostas nesses ambientes, enquanto marcas menos conhecidas podem passar a aparecer nas recomendações. 

Como a IA está mudando, ao mesmo tempo, compradores e os profissionais de marketing?

A IA está transformando os dois lados da equação. Do lado dos compradores, os LLMs já são usados para filtrar e acelerar decisões sobre fornecedores. Isso reduz a visibilidade da etapa de avaliação e aumenta a incerteza para quem está do lado do marketing. Se uma marca não aparece nesse momento, ela pode simplesmente ficar fora do conjunto de consideração.

Do lado do marketing, a IA vem sendo usada para aumentar eficiência: reduzir tempo de produção, acelerar operações, automatizar tarefas e otimizar segmentações. Mas aqui existe um alerta importante: eficiência, sozinha, não resolve o problema.

Os LLMs e humanos valorizam vozes confiáveis, fontes verificadas e experiências reais, por isso o trabalho de assessoria de imprensa e ter presença em múltiplos canais se tornou importante para o GEO (Generative Engine Optimization, análogo ao SEO para as IAs). Um destaque vai para o LInkedIn, que é a fonte mais citada nas respostas das LLMs, ou seja, ter uma presença com conteúdo relevante por aqui conta como um sinal de autoridade.

Imagem de um slide que mostra que o LinkedIn é uma fonte confiável para LLMs.

É exatamente por isso que a presença em mais canais ganha peso estratégico. Quanto mais a marca depende de um único ambiente, mais vulnerável ela fica a essas mudanças de mediação, descoberta e recomendação.

O que é viabilidade e por que ela importa mais do que visibilidade?

O conceito central apresentado foi o de Viabilidade, também referido em partes da palestra como “buyability”.

A lógica aqui é simples, mas profunda: no B2B, grupos de compradores não escolhem apenas aquilo que desejam. Eles escolhem aquilo que conseguem defender internamente.

Isso significa que o sucesso passa menos por gerar atenção superficial e mais por reduzir risco organizacional percebido, construir confiança coletiva e fortalecer a capacidade de defesa da decisão.

A Viabilidade busca justamente esse alinhamento: entender como os compradores B2B realmente compram para então orientar como as marcas devem vender.

Não se trata apenas de convencimento. Trata-se de criar as condições para que a decisão pareça sólida, justificável e segura diante de todos os envolvidos no processo.

Por que a decisão B2B não é apenas racional?

Outro ponto importante é o fato de que compras B2B são feitas por grupos, não por indivíduos isolados. E isso muda bastante a lógica da influência.

Ao longo do processo, existem partes interessadas visíveis e invisíveis. Nem sempre quem assina o contrato é quem mais influencia a percepção de risco. Áreas como jurídico, RH, finanças e compras podem entrar no processo e afetar diretamente o avanço da decisão.

Além das tarefas racionais e funcionais, também existe a presença de tarefas emocionais: reduzir medo, gerar segurança, transmitir alinhamento e permitir que a escolha seja sustentada diante de outros stakeholders.

Em outras palavras, uma marca forte no B2B não é apenas a que informa melhor. É a que ajuda o grupo a chegar a uma decisão defensável com menos atrito interno. Nesse ponto, quem é mais conhecido, aparece mais vezes, é referido nas LLMs e tem provas sociais nas mídias sociais, tem mais chances de ganhar.

O que realmente sustenta a confiança em decisões B2B?

Em vez de depender apenas de sinais de performance visível, as marcas precisam aprender a operar com sinais relacionais. Entre eles, entram recomendações, validação social, clientes semelhantes, adequação estratégica, redes de pares e alinhamento entre estilos de trabalho.

Esses sinais ganham força porque ajudam o grupo comprador a responder uma pergunta silenciosa, mas decisiva: “Essa escolha faz sentido para nós?”

No B2B, confiança raramente nasce de um único ativo de comunicação. Ela se consolida quando diferentes sinais, em diferentes canais e contextos, apontam na mesma direção.

É justamente aqui que a presença multicanal deixa de ser acessória e passa a ser estrutural. Porque a confiança não é construída só no site, só na mídia paga ou só em uma rede social. Ela se forma na soma entre conteúdo, reputação, validação e experiência percebida em vários ambientes.

Como uma marca sai da reputação e chega à receita na era da IA?

Se a jornada de compra está mais curta, menos rastreável e cada vez mais mediada por IA, a consequência é clara: já não basta gerar atenção. A marca precisa criar condições para entrar na decisão antes mesmo de o clique acontecer.

Essa lógica pode ser organizada em quatro estágios:

✅ Ser falado: ampliar a área de superfície reputacional em conversas externas nas mídias sociais, envolvendo clientes, colegas, pares, funcionários e executivos.

✅ Ser exposto: adequar conteúdo e informação às perguntas reais dos compradores, para que humanos e LLMs incluam a marca em suas listas curtas.

✅ Ser considerado: conquistar disponibilidade mental suficiente para estar presente na lista do primeiro dia. Marketing de influência entra aqui também.

✅ Ser defensável: oferecer evidências e sinais relacionais que permitam ao grupo comprador sustentar a escolha. Provas Sociais, Casos de Sucesso, Prêmios, etc.

Foto do slide que elenca os sinais relacionais de reputação que levam ao aumento de receita.

O ponto central é que esses estágios não funcionam como um funil linear tradicional. Eles se sobrepõem, se reforçam mutuamente e dependem de sinais compostos, especialmente em um ambiente em que os sinais comportamentais diretos estão mais frágeis.

Na prática, isso ajuda a entender por que a presença em mais canais se tornou tão importante: porque reputação, exposição, consideração e defesa não são construídas em um único ponto de contato. Elas são resultado da combinação entre autoridade, contexto, recorrência e validação ao longo da jornada em múltiplos canais.

Por que o LinkedIn está ganhando relevância nas pesquisas mediadas por IA?

O LinkedIn vem sendo cada vez mais citado em 2026 em consultas profissionais mediadas por IA, justamente por reunir sinais de autoridade, confiança e inteligência de rede profissional.

A palestra também menciona pesquisas recentes da Profound apontando o LinkedIn como o domínio mais citado para consultas profissionais em pesquisa de IA.

Infográfico: o LinkedIn é o domínio mais citado em pesquisas profissionais pelas LLMs.
A imagem mostra a composição das citações em LLMs do LinkedIn.

Isso reforça algo que tenho defendido há algum tempo: a autoridade hoje não depende apenas do que a marca publica no seu território próprio, mas também de como ela aparece em ecossistemas confiáveis, verificáveis e relevantes para o contexto de decisão.

Estar presente em mais canais, com papéis bem definidos, passa a ser menos uma questão de alcance e mais uma questão de arquitetura de confiança.

Quais passam a ser as novas regras do crescimento B2B?

O crescimento B2B passa a exigir mais eficácia do que eficiência.

Automação, geração de conteúdo, otimização de mídia e segmentação podem aumentar produtividade, mas não substituem sinais que realmente reduzam risco e apoiem decisões defensáveis.

Como os métodos tradicionais de avaliação estão mais frágeis, as marcas precisam de um novo painel de instrumentos, centrado em recomendações, validação, relacionamentos, redes de pares e outros sinais de Viabilidade.

Ao mesmo tempo, as necessidades dos compradores permanecem relativamente estáveis: existem dimensões racionais, profissionais, emocionais e subjetivas que continuam orientando decisões, mesmo em um ambiente conversacional impulsionado por LLMs.

A questão, portanto, não é apenas produzir mais. É construir os sinais certos, nos lugares certos, para as decisões certas.

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